Albrecht Dürer (1471-1528)

A Virgem e o Menino Jesus (1503)
Pena e tinta sobre papel.
Obra perdida até 2019.

Estudo para a “Virgem e os Animais” (1506) aguarela sobre papel - “Galeria Albertina”, Viena. 

A proveniência deste desenho reporta-se a uma colecção norte americana, não revelada, mas muito provavelmente identificável com a detida pelos descendentes do arquitecto Jean-Paul Carlhian (Paris 1920-Massachusetts 2012).

Segundo peritos da galeria londrina “Thomas Agnew & Sons”, bem como do parecer de Christof Metzeger, curador da exposição sobre Dürer na “Galeria Albertina” encerrada em Janeiro, analisado o meio, o suporte e o monograma “AD”, a autoria de Albrecht Dürer está firmemente estabelecida, consistindo num estudo acabado e muito detalhado para a aguarela a “Virgem e os Animais” (1506).


Afastada a questão da autenticidade importa traçar a rota da aguarela para reconstituir o “passado” do desenho porquanto, além da precedência cronológica duma peça em relação à outra, surgem pontos de contacto que importa considerar.

Segundo Christof Metzeger é muito provável que o desenho tenha sido herdado por Willibald Imhoff (1519-1580) neto de Willibald Pirckheimer (1470-1530), amigo íntimo de Dürer e o grande coleccionador da sua obra.
Em 1589, parte das colecções de Imhoff, 9 anos depois da sua morte, passou a ser detida pelo Imperador Rudolf II (1552-1612) do Sacro Império Romano Germânico. Desconhece-se a que título se operou esta transferência de propriedade.

Em 1809 uma considerável quantidade de peças desta colecção sediada em Viena foi apresada e levada para Paris em circunstâncias possivelmente relacionadas com as reivindicações de Napoleão Bonaparte prévias ao seu casamento com Maria Luísa de Áustria (11 de Março de 1810).

Nesse acervo encontravam-se a “Virgem e os Animais” e o desenho em apreço.
A aguarela e 4 desenhos de Dürer foram vendidos no início do Séc. XX a André Carlhian (1883-1967) da empresa parisiense de mobiliário e decoração de interiores “Maison Carlhian” (1867-1975) pelos herdeiros de James- Alexandre de Pourtalès, dito conde de Pourtalès (1776-1855), em parceria com o negociante de arte Joseph Duveen, 1º Barão de Duveen (1869-1939).  
O arquitecto Jean-Paul Carlhian, descendente de Andrè é, por conseguinte, o ante possuidor deste magnífico e redescoberto desenho.

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