Cruzeiro Seixas, o último dos Surrealistas

Cruzeiro Seixas, o último Surrealista Português

Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas (1920-2020), mais conhecido como Cruzeiro Seixas, foi um artista e poeta Português do movimento surrealista. 

 

Apesar de ser um excelente artista plástico Cruzeiro Seixas odiava que o classificassem como tal, preferia ser simplesmente visto como “um homem que pinta”. Também recusava os termos “artístico” e “intelectual” como categorias relevantes. 

 

Cruzeiro Seixas foi muito mais do que apenas um “homem que pinta”. Conheça a vida do homem mais importante do surrealismo Português.

 

 

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Origens e Formação

 

Cruzeiro Seixas nasceu em Lisboa e começou o seu percurso artístico na Escola de Arte António Arroio, em Lisboa.

 

Esta escola continua a estar direccionada para diversas actividades como as artes visuais, o desenho, a comunicação e a produção artística em geral. 

 

Foi na Escola de Arte António Arroio, em Lisboa, onde Cruzeiro Seixas deu os seus primeiros passos como estudante de arte onde acabaria por sentir uma grande, mesmo que breve, atracção pelo movimento neo-realista. Esta corrente caracteriza-se pelo seu marcado carácter Marxista, desenvolvendo a sua estética característica à volta dos anos 40. Entregando-se finalmente ao surrealismo, Cruzeiro Seixas aderiu aos seus princípios de revolução artística onde a liberdade no processo criativo tinha um papel fundamental. 

 

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O grupo Surrealista de Lisboa

 

 

Inspirado por certos ideais que vão além da esfera artística e que culminaram numa ideologia de revolução social anti burguesa e antiguerra, Cruzeiro Seixas formou o Grupo Surrealista de Lisboa junto a companheiros notáveis como Mário Cesariny, Pedro Oom e Carlos Calvet, entre outros. Cabe destacar que o primeiro, Mário Cesariny, é outro artista considerado “Pai” do surrealismo Português, a par de Cruzeiro Seixas. 

 

Este grupo participou pela primeira vez na exposição surrealista de Lisboa, em 1949, no mesmo ano em que Cruzeiro Seixas atraído por outras culturas estrangeiras, entra na Marinha mercante e viaja rumo ao Oriente e a Índia. Lamentavelmente, o grupo separa-se em 1950, mas isso não impede que o português continue uma viagem individual. 

 

 

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Viagens e exposições fora de Portugal

 

 

O currículo de Cruzeiro Seixas está visivelmente marcado por muitos êxodos e exposições em diversas cidades do mundo. 

 

Porém, antes de começar a sua etapa como artista expositor, Cruzeiro Seixas mergulha na inspiração que lhe suscitavam as culturas que ia conhecendo nas suas viagens. E foi assim que em 1952 decidiu instalar-se em Angola, em plena África Central, formando uma colecção muito gráfica e uma colecção de primeiros poemas.

 

Em 1953, um ano mais tarde, Cruzeiro Seixas começa uma nova etapa que durará seis anos onde expões, em Luanda, uma série de desenhos inspirados na figura do poeta Aimé Césaire. Também incluiu nas exposições de Luanda os característicos “objectos encontrados” do gosto surrealista e uma série de colagens.

 

Em 1960 Cruzeiro Seixas vai ao museu de Angola em trabalho, interessando-se na profissão museográfico. Queria um atelier de pintura que abandona anos mais tarde para regressar à Europa, preocupado pelo crescimento do clima da guerra colonial.

 

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Regresso a Europa e a casa

 

 

Já de regresso a Portugal, Cruzeiro Seixas continua a aumentar a sua história de sucessos:

 

Em 1968 recebe uma bolsa de estudos da Fundação Calouste Gulbenkian e, um ano mais tarde, inicia uma retrospectiva na galeria Buchholz de Lisboa. Faz isto acompanhado de um texto escrito pelo seu companheiro surrealista Pedro Oom, e de um prefácio do historiador e crítico de arte Rui Mário Gonçalves. Um ano mais tarde, Cruzeiro Seixas expõe com Cesariny na galeria Divulgação no Porto. 

 

A partir da década 70 os trabalhos e as posições do Cruzeiro Seixas multiplicam-se: expõe individualmente em 1970 na galeria São Mamede com prefácios de Cesariny, Laurens Vancrevel e Herberto Hélder, e em 1975 expõe na galeria da Emenda guaches de África.

 

Assim que chega a década dos 80, Cruzeiro Seixas é convidado por Artur Shwuarz para a Bienal de Veneza, mas por razões alheias às sua vontade, tal não acontece. Em 1986 publicou seu primeiro livro de poemas chamado “Eu falo em chamas” e em 1989 recebe o prémio SOCTIP de “Artista do Ano“ após o qual se publicou o álbum ilustrado de Cruzeiro Seixas sobre a sua vida e a sua obra.

 

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Em direcção ao novo milénio

 

 

Caminhando em direcção ao novo milénio, é notável a exposição de “Homenagem a Mário Henrique Leiria” em 1995 para a galeria São Mamede (que Cruzeiro Seixas dirigiu de 1968 a 1974) ou a enorme exposição retrospectiva na Galeria Municipal Artur Bual na Amadora, Lisboa. Em 1999 doa a sua colecção à Fundação Cupertino de Miranda em Vila Nova de Famalicão, com vista à construção do Centro de Estudos do Surrealismo e do Museu do Surrealismo onde também se encontra uma exposição permanente de Cruzeiro Seixas. 

 

Em 2009 foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada, pelo seu mérito literário, artístico e científico.

 

Cruzeiro Seixas viveu os últimos anos da sua vida na Casa do Artista em Lisboa.
Morre a 8 de Novembro de 2020.

 

Actualmente estão em marcha uma série de iniciativas a propósito do centenário do seu nascimento, entre elas distinguem-se as da Biblioteca Nacional de Portugal e a Galeria Perve, em Lisboa, ambas activas até ao mês de Dezembro. Por outro lado, a sua obra continua latente na coleção permanente do Museu Nacional de Arte Contemporânea, na coleção do Museu do Chiado, na Fundação Calouste Gulbenkian, e também, como mencionado anteriormente, na Fundação Cupertino de Miranda. 

 

 

Cruzeiro Seixas na P55

 

Na P55 poderá encontrar várias obras de Cruzeiro através dos seguintes links.


https://www.p55.pt/collections/cruzeiro-seixas/products/cruzeiro-seixas-a-semente-tempera-sobre-tela-colada-sobre-a-capa-de-um-livro-22x17cm

https://www.p55.pt/collections/cruzeiro-seixas/products/cruzeiro-seixas-tecnica-mista-sobre-papel-1947-48x45cm

https://www.p55.pt/collections/cruzeiro-seixas/products/cruzeiro-seixas-tinta-da-china-e-cafe-2002-32x43cm

https://www.p55.pt/collections/cruzeiro-seixas/products/cruzeiro-seixas-persistencia-de-memorias-de-baco-pintura-21x18cm

https://www.p55.pt/collections/cruzeiro-seixas/products/cruzeiro-seixas-desenho-com-tecnica-mista-sobre-papel-obra-assinada-22x16cm

https://www.p55.pt/collections/cruzeiro-seixas/products/cruzeiro-seixas-tecnica-mista-sobre-papel-assinado-18x24cm

https://www.p55.pt/collections/cruzeiro-seixas/products/cruzeiro-seixas-tecnica-mista-sobre-papel-assinado-19x13cm

https://www.p55.pt/collections/cruzeiro-seixas/products/cruzeiro-seixas-esferografica-sobre-papel-60x52cm

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