José de Guimarães

José de Guimarães (n.1939)
José Maria Gonçalves Marques, natural de Guimarães, “cidadão do mundo”, Engenheiro, coleccionador, esteta, artista plástico, insubmisso dono de si próprio.
Defini-lo é seccioná-lo em parcelas que uma vez individualizadas impedem a compreensão do todo.
Classificar a sua obra sob critérios e bitolas académicas é arrumá-la num capítulo de catálogo, numa síntese prefacial ou conclusiva duma nota de rodapé; é arriscar a não abarcar a sua integralidade material e metafórica. A obra de José de Guimarães possui uma dimensão e uma personalidade distintas que não se compaginam com premissas escolásticas: constitui-se duma multiplicidade de marcos únicos na contemporaneidade da produção artística em Portugal e no Mundo. 

Há mais de uma dezena de anos tivemos a grata oportunidade de sermos recebidos no seu estúdio em Alfama. Acolheu-nos cavalheiresca e pacientemente com a franca e espontânea nobreza do Minhoto que é, e do Português das “sete partidas do mundo” que também é.
“Peregrinámos” pela sua colecção de arte africana e pré-colombiana, vasta, riquíssima, cheia de mistérios místicos e esotéricos que o seu saber de incansável e culto viajante nos foi revelando com detalhes que envolviam as suas histórias e a dos seus trajectos desde as origens até Lisboa. Ficámos a saber que coleccionava para si, porém, com a já declarada intenção de a tornar patente ao público o que mais tarde se concretizaria na feliz sequência da não menos felizmente conseguida “Guimarães Capital Europeia da Cultura”. Entretanto, parte da sua colecção estava em itinerância cedida a diversas instituições europeias que a exibiam com grande destaque e apreço.

Com uma humildade desconcertante de tão natural que é foi-nos falando das suas obras, das suas visões do Mundo e do seu percurso como artista, despojado de vedetismo (daquela auto-exaltação narcísica que por vezes notamos em certos meios da “cultura nacional”) como que se desculpando pela sua importância e, porque não, da celebridade, que muito justamente lhe é reconhecida.
Compulsar a longa lista de exposições, mostras, galerias, e projectos em que participou; de colecções privadas e institucionais, e de museus onde está representado; dos galardões, prémios e distinções honoríficas; das obras escritas e cinematográficas que lhe estão dedicadas; de peças monumentais sitas em várias cidades, equivale a, no mínimo e no sentido literal do termo, uma circum-navegação.  
O presente leilão insere-se num ciclo informal, mas constante, de presenças de obras de José de Guimarães desde o início da nossa actividade. A sua notoriedade e multidisciplinaridade sempre suscitaram o maior interesse no mercado nacional e internacional. Estamos seguros deste rumo de continuidade na divulgação do trabalho de José de Guimarães: Nós não acrescentamos valor ao valor que ele lhe imprime por via do seu labor e indiscutível talento.


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