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Subtítulo

Cristina Andrade

Helena de Medeiros

Breve Biografia

Helena de Medeiros, portuense formada na London Fashion School e na Escola Superior de Artes e Design, é uma das mais recentes inspirações nacionais além-fronteiras. Atualmente responsável pelos figurinos do La Scala, em Milão, tem oferecido ao costume design uma interpretação muito própria, presente de forma transversal a toda a sua obra,  e centrada no pássaro e na interpretação do seu simbolismo. A paixão pela cenografia faz de si uma das artistas mais elogiadas neste universo, tendo constituído um percurso sólido e invejável junto de algumas das mais prestigiadas companhias de ballet mundiais, passando por países como Portugal, Alemanha, Itália, Canadá, Chile e China. Também criadores de referência se renderam aos traços de liberdade, movimento, expansão e elegância e subtileza do que produz, valendo-lhe colaborações com os mesmos. Falamos de nomes como Gradimir Pankov, Iracity Cardoso, Louis Robitaille ou Mauro Bigonzet. 

Não só na moda, e do que de novo traz para este mundo, tem, contudo, Helena de Medeiros focado o seu trabalho. É uma área distinta e caraterizadora da artista, que desperta cada vez mais a curiosidade de um público interessado em novas tendências e movimentos de expressão. No entanto, o seu percurso inicia-se com a pintura, em que dá cartas desde 1990, quando começou a expor individualmente. Hoje, é uma das artistas contemporâneas mais completas, conjuntado os quadros que pinta, e através dos quais consegue estabelecer um diálogo com os figurinos que cria, com poemas da sua autoria. Foi, aliás, neste registo que começou a ser requisitada internacionalmente e que, nos últimos tempos, se consagrou como artista revelação de uma das lojas de arte mais reputadas da cidade que a viu crescer: a P55, no Porto.  

O reconhecimento nacional começa agora a sentir-se de forma que espelha não só o orgulho no trabalho de alguém que consegue assinar em português em grandes casas estrangeiras, como causa um impacto real em quem se depara com o seu trabalho. As peças são disputadas em leilões com grande participação, como é o caso da galeria P55 onde é raro o leilão onde as suas obras não fazem parte do espólio, confirmando a qualidade de uma expressão artística que dispensa apresentações e que, no caso dos costume designs, nos fazem sonhar com passadeiras vermelhas alternativas, onde a imaginação assume novos contornos e tudo parece ser possível.

Com Helena de Medeiros, conseguimos desvendar um traço único em tudo o que faz, que se reconhece num quadro, na sua escrita ou mesmo no costume que sobe a palco; embora tudo isso aconteça de forma muito natural.